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É de chorar...

Literalmente, a paisagem com que me deparei no último fim de semana, quando da minha ida à região do Serido, fez-me chorar!

  Após sete décadas de existência, nunca vi cenas tão chocantes... Acrescento que no último mês de dezembro, observei as palmas, que servem para alimentar o gado em várias circunstâncias, especialmente em períodos de seca, retorcidas e “arriadas”. E aí perguntei a mim mesma: E agora?

  Além da grave situação presenciada, ouvi de uma pessoa, altamente experiente nesse setor, a afirmativa de que o ciclo de cerca de trezentos e tantos anos de agropecuária no Seridó está praticamente encerrado. Se a paisagem realista fez-me chorar, tal afirmativa levou-me a uma profunda preocupação.

  O que farão aquela região assim como outras do nosso RN para a sua sobrevivência?  Eis um grande desafio para os homens e mulheres potiguares. Quem sabe, as alternativas poderiam estar na mineração, turismo, zona com tratamento tributário especial para motivar determinadas iniciativas... Confesso que a pedagoga não domina o assunto. Nem por isso posso deixar de pensar!

  Eis que estamos diante de mais um desafio para assegurar a sobrevivência de um povo que tem uma cultura para “não se jogar fora”. Basta lembrar que os melhores Índices de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEBs estão justamente na região do Seridó.

  Acrescenta-se que, em determinado tempo, o Índice de Desenvolvimento Infantil - IDI do Seridó apresentava-se como o mais elevado dentre todas as regiões do Rio Grande do Norte.

  Até mesmo dentre os casos de corrupção de administrações públicas, o menor percentual, coincidentemente ou não, está justamente na região do Seridó.

  Por tudo isso, não se pode jogar fora tal tradição. Daí estarmos todos nós imbuídos de uma imensa responsabilidade quanto à descoberta de alternativas para se viabilizar uma digna sobrevivência para um povo que tem muito a ensinar. Para isso, é preciso criatividade e vontade política. Assim sendo, pode ser que não mais tenhamos que chorar diante de panoramas tão angustiantes quanto os que a seca de 2013 nos apresenta.

  Lembremos “os retratos da seca” iniciativa da Federação da Agricultara do Rio G. do Norte e que dificilmente deixará qualquer norte-rio-grandense indiferente ao atual quadro, consequência nefasta da falta de chuvas em nosso Estado. (Natal-28/02/2013)

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